-Mãe, aonde é que fomos ontem? À biblioteca ou à discoteca?
lol
-À feira do livro, tonto!
Lourenço da Arábia
para que mais tarde ninguém se esqueça de como foram os primeiros tempos
Terça-feira, Maio 15, 2012
Luzes apagadas
Tudo a postos para dormir. Passado um bocado ouve-se:
-Mãe, o lençol não está bem espalhado!
-Mãe, o lençol não está bem espalhado!
Quarta-feira, Maio 09, 2012
Terça-feira, Maio 08, 2012
Ontem
Porque é que as maminhas se chamam maminhas (curious choice of words)?
Quem é que deu nome às coisas?
Nós somos as primeiras pessoas? Quem foram as primeiras pessoas (as que deram nome às coisas)?
As pessoas que morrem voltam a nascer? Então vão para onde?
As respostas envolveram: transmissão intergeracional, primatas e evolução, crenças em relação à afterlife, desenvolvimento da técnica ao longo da história, importância de estudar, o saber acumulado nos livros, aprender as letras no próximo ano, tomar atenção, portar-se bem.
Ufa.
Quem é que deu nome às coisas?
Nós somos as primeiras pessoas? Quem foram as primeiras pessoas (as que deram nome às coisas)?
As pessoas que morrem voltam a nascer? Então vão para onde?
As respostas envolveram: transmissão intergeracional, primatas e evolução, crenças em relação à afterlife, desenvolvimento da técnica ao longo da história, importância de estudar, o saber acumulado nos livros, aprender as letras no próximo ano, tomar atenção, portar-se bem.
Ufa.
Manos
Tenho de admitir que o Lourenço tem superado as minhas expectativas. Birras controladas, comportamento quase sempre ou muito mais vezes impecável, declarações de amor constantes, pontuadas raramente com frases como «também não gosto dessa porcaria de mana»... rapidamente esquecidos nos abraços e pedidos de desculpa. É um mano orgulhoso e protector. Que abraça mais do que porventura a mana gostaria, mas olha, aguente-ser que para ser irmão mais novo é sempre preciso alguma dose de resiliência.
Ainda o assunto da reprodução
Mãe, quando é que fazem outro bebé?
(???) Como?
Sim, quando é que fazem outro bebé!
Porquê?
Posso ver?
(?????)
Sim, posso ver?
Ó Lourenço é uma coisa privada sabes...
É no hospital?*
...
lol
*no outro dia perguntou-me em que sítio tinha feito a mana, pensei que se referia à barriga, mas não queria mesmo saber o lugar.
(???) Como?
Sim, quando é que fazem outro bebé!
Porquê?
Posso ver?
(?????)
Sim, posso ver?
Ó Lourenço é uma coisa privada sabes...
É no hospital?*
...
lol
*no outro dia perguntou-me em que sítio tinha feito a mana, pensei que se referia à barriga, mas não queria mesmo saber o lugar.
Segunda-feira, Abril 23, 2012
Mãe, como é que se chamam as pessoas que são cegas?
... chamam-se ciganos, é? E as pessoas que fumam? Deve ser cigarros, não?
(e riu-se do seu próprio disparate).
(e riu-se do seu próprio disparate).
Terça-feira, Abril 10, 2012
Sábado, Março 31, 2012
Na série da televisão (Disney Chanel)
Falou-se do triângulo das Bermudas, um lugar secreto difícil de encontrar e de onde não se pode sair.
Ao jantar o Lourenço lembrou-se da «ilha das borbulhas», um lugar secreto difícil de encontrar e de onde não se pode sair.
Ao jantar o Lourenço lembrou-se da «ilha das borbulhas», um lugar secreto difícil de encontrar e de onde não se pode sair.
Quinta-feira, Março 29, 2012
Gosta tanto de lhe pegar que no outro dia saiu-se com esta
Bolas, os adultos têm bué da sorte, podem pegar na mana em pé...
(ele só pode sentado, sob vigilância naturalmente)
(ele só pode sentado, sob vigilância naturalmente)
Diz que quer que o acorde durante a noite
Quando a mana quiser comer. Eu disse que sim, mas claro que ele dormiu regalado. De manhã pergunta, então não me acordaste? E eu menti: chamei-te mas tu não quiseste vir, estavas a dormir. Mãe, diz ele, tens de me abanar...
O que ele gosta de lhe pegar quando está satisfeita e calminha (da primeira vez que lhe pegou exigiu que toda a gente menos os pais saíssem, tal era a vergonha). E desde então tenta imitar-nos em todos os gestos!
O que ele gosta de lhe pegar quando está satisfeita e calminha (da primeira vez que lhe pegou exigiu que toda a gente menos os pais saíssem, tal era a vergonha). E desde então tenta imitar-nos em todos os gestos!
Começar de novo
Sabem bem os três ou quatro leitores deste espaço que o meu segundo bebé, Laura de seu nome, nasceu faz hoje 11 dias. Dia 19, depois de tentar por todos os meios que o parto se despoletasse naturalmente, segui para o hospital com cesariana marcada (a indução estava-me vedada por causa da cesariana anterior). Foi tudo tão rápido que nem deu tempo para me mentalizar, nem um «vamos lá a isto». O nosso corpo deixa de ser nosso por umas horas e todos mexem e remexem aos seus ritmos, enquanto nos limitamos a tentar absorver o que se está a passar.
Chegámos lá pelas dez e meia e faltavam apenas cinco minutos para o meio dia quando um choro audível anunciava a chegada da Laura. As lágrimas são inevitáveis nestes momentos (duas vezes já permite uma estatística) e o sentimento de que agora é que é, repetiu-se como da primeira vez. A divergir o facto de o pai estar presente (as lágrimas foram em coro) e o facto de ter podido vê-la imediatamente pousada sobre a barriga (ainda aberta suponho - não quero pensar muito nisso). Foram poucos os minutos que esteve longe porque quase imediatamente, ainda só de fralda, a puseram no peito. Não pude apreciar bem tudo isto porque estava desconfortável e com alguma dor enquanto terminavam o serviço. No recobro mamou todo o tempo e pude finalmente vê-la melhor: era igual ao mano, embora mais miudinha! Linda, linda, tão perfeitinha (mesmo que não fosse seria, não se espere objectividade das mães recém paridas). Depois, quaisquer dúvidas de que (como dizem as mães de mais do que um) o coração se multiplica desfizeram-se logo, com a diferença de que a essa semente de amor incondicional que germina desde o primeiro choro se somam as preocupações de como reagirá o outro, aquele que já conhecemos tão bem e amamos tanto, aquele cujo afecto se mantém intacto mas que pode (e sentir-se-á sempre) ameaçado por este novo amor.
A reacção dele foi um espelho dele próprio: envergonhado (não quis olhar), a explorar as tecnologias do quarto (camas, estores, equipamentos diversos) e, finalmente, a olhar (e sentir, suponho, um turbilhão de emoções).
Uma semana e tal depois posso dizer que, muito embora amanhã possa ser diferente, tenho em casa um mano mais velho orgulhoso, colaborante e seguro - exceptuando ocasionais momentos de tensão - do seu lugar nesta família. Na cabeça dele faz tudo sentido: dois rapazes, duas raparigas... uma família completa (e arrisco-me dizer, muito feliz).
Não me sai da cabeça a frase do livro Coração de Mãe:
Chegámos lá pelas dez e meia e faltavam apenas cinco minutos para o meio dia quando um choro audível anunciava a chegada da Laura. As lágrimas são inevitáveis nestes momentos (duas vezes já permite uma estatística) e o sentimento de que agora é que é, repetiu-se como da primeira vez. A divergir o facto de o pai estar presente (as lágrimas foram em coro) e o facto de ter podido vê-la imediatamente pousada sobre a barriga (ainda aberta suponho - não quero pensar muito nisso). Foram poucos os minutos que esteve longe porque quase imediatamente, ainda só de fralda, a puseram no peito. Não pude apreciar bem tudo isto porque estava desconfortável e com alguma dor enquanto terminavam o serviço. No recobro mamou todo o tempo e pude finalmente vê-la melhor: era igual ao mano, embora mais miudinha! Linda, linda, tão perfeitinha (mesmo que não fosse seria, não se espere objectividade das mães recém paridas). Depois, quaisquer dúvidas de que (como dizem as mães de mais do que um) o coração se multiplica desfizeram-se logo, com a diferença de que a essa semente de amor incondicional que germina desde o primeiro choro se somam as preocupações de como reagirá o outro, aquele que já conhecemos tão bem e amamos tanto, aquele cujo afecto se mantém intacto mas que pode (e sentir-se-á sempre) ameaçado por este novo amor.
A reacção dele foi um espelho dele próprio: envergonhado (não quis olhar), a explorar as tecnologias do quarto (camas, estores, equipamentos diversos) e, finalmente, a olhar (e sentir, suponho, um turbilhão de emoções).
Uma semana e tal depois posso dizer que, muito embora amanhã possa ser diferente, tenho em casa um mano mais velho orgulhoso, colaborante e seguro - exceptuando ocasionais momentos de tensão - do seu lugar nesta família. Na cabeça dele faz tudo sentido: dois rapazes, duas raparigas... uma família completa (e arrisco-me dizer, muito feliz).
Não me sai da cabeça a frase do livro Coração de Mãe:
E há um dia em que no coração de mãe nascem flores...
...quando um filho diz pela primeira vez "olá" a outro filho."
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